20/03/15

AS DIFERENÇAS INDIVIDUAIS DE APRENDIZAGEM


AS DIFERENÇAS INDIVIDUAIS DE APRENDIZAGEM

Atualmente as avaliações não são elaboradas com a preocupação de atender as necessidades individuais dos alunos. Geralmente os educadores tem confundido o conceito de “justiça”, justificando que uma avaliação deve ser igual em seu formato e que esta mesma deve ser administrada de forma padronizada aos alunos. O mesmo teste é aplicado exatamente da mesma maneira e sob as mesmas condições para todos os alunos.

Em algumas situações e para determinados fins, a administração padronizada é apropriada, mas apenas se o formato e as circunstâncias da prova correspondem a uma habilidade específica para facilitar exatamente aos requisitos de um futuro trabalho.

Um exemplo que podemos analisar - se a NASA quer avaliar a capacidade de seus astronautas para reagir em caso de uma emergência, cada astronauta que está sendo avaliado deve ser colocada em uma mesma situação simulada de emergência? Neste caso, aqueles que conseguem reagir rapidamente e executar todas as tarefas necessárias àquela situação, serão realmente os mais qualificados?

 Refletindo sobre o exemplo: Imagine que você está ensinando um conteúdo de Ciências do Ensino Médio, e está para aplicar uma prova de múltipla escolha, baseada no conteúdo apresentado no livro didático. Você espera descobrir o que cada um dos seus alunos já aprendeu sobre aquele conteúdo de Ciências ao longo da unidade, e por extensão se os objetivos que você propôs atingir foram de fato atingidos.

Você duplica 25 cópias do teste e anuncia aos alunos que eles terão 15 minutos para executar a tarefa. Agora imagine que entre os alunos que farão o teste está: Paula, Patrick, Kamila, Charlie, Jamal, Sophia e Miguel. Será que o cronometrado teste de múltipla escolha, de papel e lápis deu a informação exata que você esperava? Será que o resultado responderá exatamente se os alunos aprenderam ou não aquele conteúdo de Ciências dentro de sala de aula?

Provavelmente a resposta é NÃO. O método de avaliação confunde os conhecimentos do conteúdo de Ciências com a facilidade em vários aspectos do teste em si mesmo, deixando impossível desagregar as causas de sucesso ou fracasso. Não foram observadas as diferenças individuais com esse formato de teste, de maneira que a administração distorceu a exatidão dos resultados.

Para comprovar, consideremos o padrão do teste de Ciências em três redes cerebrais ou três alunos distintos quanto ao reconhecimento do conteúdo.

Paula é uma aluna que decodifica palavras muito bem, mas tem dificuldade em compreender enunciados num texto articulado. Esta habilidade limita sua capacidade de responder com exatidão aos itens do teste, mesmo quando ela entende os conceitos. De fato, o grande interesse de Paula e a facilidade de decodificar as palavras não garantem a ela o êxito no teste, visto que a mesma não consegue compreender o que decodifica.

Sophia teria dificuldades com o teste por razões completamente diferentes, a aluna tem um bom conhecimento conceitual em Ciências, apresenta boas notas por sua dedicação, tem uma boa capacidade para ouvir, mas apresenta um significativo problema visual que impede que Sophia leia com rapidez, apesar de seus óculos ela precisaria bem mais do que 15 minutos para executar o teste.

Se aplicarmos o teste dando a todos o mesmo formato seria injusto. Pense em como Paula e Sophia poderiam atuar se elas fizessem o teste utilizando um formato atendendo as necessidades de cada uma: onde pudessem ser testadas em suas habilidades individuais. Fazendo com que Paula permaneça focada nas questões e no processo de executar o teste e Sophia com um computador com tradutor de texto para auxiliá-la na compreensão mais rápida e eficaz da leitura.

Considere como os estudantes tendo variáveis habilidades como planejar, executar e monitorar as ações e habilidades pode afetar a precisão dos resultados dos testes.

Jamal, por exemplo, é um aluno que possui dificuldades motoras para realizar os traçados da letra de forma legível e Charlie, outro aluno que não consegue manter uma postura de autocontrole dentro de sala de aula, então provavelmente falharia ao realizar testes padrões por não atender suas individualidades.

Por outro lado, seria justo aplicar testes orais para toda classe? Na verdade não, porque outros alunos da classe apresentariam particularidades em suas dificuldades. A verdade é que a diversidade de competências e a variedade de habilidades dentro de uma sala de aula impede qualquer meio único de avaliação.

Devemos olhar nossos alunos individualmente com a preocupação de atender suas necessidades aproveitando o que cada um apresente de melhor em suas capacidades individuais, pois todos somos portadores de habilidades específicas, e todos temos capacidade para aprender.

                                                                                                                     Ahmad Matar